O mistério na vida... Circulando, fluindo... nos elementos, nas estações. Palavra que brota, agir que floresce... A luz pascal que incendeia a festa da existência. A soma dos "ires-e-vires", de homens e mulheres que celebram, se encantam, e se enredam, no cuidado com o mundo, na busca do Reino.

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bulletin blog

OFÍCIO DIVINO DOS MÁRTIRES DA CAMINHADA LATINO-AMERICANA

ELABORAÇÃO
Emerson Sbardelotti
Correio eletrônico: sbardelottiemerson@gmail.com
REVISÃO
Ana Maria Silva Lemos
Emerson Sbardelotti
ARTE
Maximino Cerezo Barredo
Pedro Gois

~APRESENTAÇÃO
“O martírio é uma graça que não creio merecer.
Mas se Deus aceita o sacrifício de minha vida, que meu sangue seja a semente da liberdade e o sinal de que a esperança será logo uma realidade.
Minha morte, se for aceita por Deus, que o seja pela libertação de meu povo e como um testemunho de esperança no futuro”.
D. Oscar Romero
D. Oscar Arnulfo Romero Galdamez foi o quarto arcebispo metropolitano de San Salvador, capital de El Salvador, nasceu em Ciudad Barrios, distrito de San Miguel em 15 de agosto de 1917 numa família pobre. Em 1930 entrou no Seminário de San Miguel. Seus superiores mandaram-no a Roma, para estudar e doutorar-se na Pontifícia Universidade Gregoriana. Foi ordenado padre em 4 de abril de 1942. Em 25 de abril de 1970 é nomeado Bispo auxiliar de San Salvador, e em 15 de outubro de 1974, bispo de Santiago de Maria. Em 3 de fevereiro de 1977 foi nomeado Arcebispo de San Salvador. Escolhido como arcebispo por seu aparente conservadorismo, uma vez nomeado aderiu aos ideais da não-violência, posição que o levou a ser comparado ao Mahatma Gandhi e a Martin Luther King. Com a morte do amigo e padre jesuíta Rutilio Grande em 12 de março de 1977, D. Oscar Romero passou a denunciar, em suas homilias dominicais, as numerosas violações aos direitos humanos em El Salvador e manifestou publicamente sua solidariedade com as vítimas da
violência política, no contexto da Guerra Civil de El Salvador. Defendia a Opção pelos Pobres. D. Romero foi convertido aos pobres e a sua causa, a causa da justiça e da verdade, também, por causa do padre Rutilio Grande que havia feito muitas denúncias contra a situação de pobreza do povo, a insensibilidade das elites e a violência do governo. No dia de seu martírio, se dirigia para sua terra natal com outros cristãos para preparar uma festa religiosa, foi morto por militares, com uma rajada de metralhadora. D. Romero afirmou que foi o exemplo do padre Rutilio Grande e sua morte que o convenceram a ficar firmemente ao lado dos pobres, dos esquecidos, dos perseguidos e dos injustiçados de El Salvador.
Depois da morte de seu companheiro, D. Romero passou a acusar frontalmente os capitalistas, governantes, militares e ricos, responsabilizando-os por todos os males ocorridos no país. Era a única voz profética pública no país. Suas homilias, transmitidas pela rádio arquidiocesana, eram ouvidas no país inteiro. Com tudo isso, passou a ser perseguido, caluniado e execrado por estar ao lado dos pobres, inclusive por gente da Igreja que estava ao lado dos ricos (algo bem parecido com o que sofreu D. Helder Camara aqui no Brasil, quando este foi arcebispo da Arquidiocese de Olinda e Recife durante a ditadura militar). A rádio, por várias vezes fora bombardeada, os padres foram perseguidos, torturados, assassinados, lideranças das comunidades desapareciam. O episcopado salvadorenho, em sua maioria, era aliado aos militares e para não perderem os privilégios ficaram contra Romero.
No dia 24 de março de 1980, às 18 horas, o arcebispo de San Salvador, celebrava missa na capela
do Hospitalito, hospital de religiosas que cuidavam de doentes com câncer. No momento da consagração, o tiro desfechado por um atirador de elite escondido atrás da porta traseira da capela atingiu o coração do pastor e matou-o imediatamente. Selou seu testemunho com sangue, como Jesus e todos os mártires cristãos. Entretanto, sua morte não pode ser desconectada de sua vida. Foi o selo coerente desta. Calava-se assim a voz que defendia os pobres no regime cruel e sangrento que dominava El Salvador. E D. Romero passaria a estar vivo, a partir de então, no coração de seu povo, no qual profetizou que ressuscitaria, se o matassem. Assim foi, assim é. Não existe um só salvadorenho nos dias de hoje que não fale com carinho extremo de D. Oscar Romero e não reconheça nele um pai e um protetor. E não há um cristão que não deva conhecer a vida e a trajetória deste grande bispo que é exemplar para todos aqueles e aquelas que hoje se dispõem a seguir o Moreno de Nazaré.
Em 2015 é declarado Beato pelo Papa Francisco, mas para o povo de El Salvador e de toda a América Latina e Caribe, ele já é a muito tempo o nosso Santo, Pastor e Mártir. Neste ano de 2017, ano do centenário de Romero, espera-se que o Papa Francisco viaje para El Salvador para canonizar o nosso São Romero da América.
Neste Ofício Especial - Centenário, que será rezado e experimentado por tantos/as jovens, também por lideranças das CEBS e pessoas de boa vontade que se doam na defesa constante da vida nas comunidades e em sociedade, reafirma-se que, celebrar a memória de D. Romero é confirmar sua vida e assumir a sua missão na realidade em que vivemos hoje. Unimos a
celebração da memória de Romero à celebração do memorial do Moreno de Nazaré, mártir primeiro, e fazemos nossa a sua missão na opção preferencial pelos jovens e pelos pobres, em defesa da vida no planeta.
Seguimos em frente na caminhada com as palavras do bispo Pedro Casaldáliga: “Celebrar a memória de nosso São Romero é um dever e é um dom. Renovando nossa comunhão nas lutas e na esperança de santificar a esse pastor e mártir da Nossa América. Fazendo, isso sim, dessa memória um renovado compromisso diário das lutas pelo Reino que São Romero viveu em radicalidade dando a prova maior, como diz Jesus. Essa memória nos estimula a vivermos o desafio diário de sermos também radicais, mas com uma esperança que tem garantia da Páscoa do próprio Cristo”.
E cantamos juntos uma cantiga de esperança, teimosia e amizade:
Amizade
(Emerson Sbardelotti)